• Roberto Francisco Mennuti

Manutenção Preventiva

Inspeção deve ser feita regularmente e está prevista em normas nacionais e internacionais.


Um curto-circuito na rede elétrica dá início a um incêndio que, em pouco tempo, espalha-se por toda a edificação.


As chamas ganham altura e o fogo se alastra sem controle. A empresa, vítima do incêndio, afirma que os sistemas de prevenção e combate eram de primeira linha e cumpriam todas as normas de segurança exigidas. A perícia indica falha no sistema de detecção, que impediu o disparo do alarme de incêndio. A falha poderia ter sido evitada caso houvesse manutenção preventiva dos sistemas.



Notícias como a descrita acima são recorrentes em todo o Brasil. Embora as manutenções preventiva e corretiva estejam previstas na NBR 17240 e NBR 10897 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e também por normas internacionais, como a NFPA 25 e a NFPA 72, muitos proprietários de imóveis acabam não realizando testes com frequência necessária.


Inspeções preventivas em sistemas de proteção e combate a incêndios são de extrema necessidade, pois deve ser garantido que aquele sistema de proteção específico, que foi concebido, projetado e construído dentro dos mais rígidos critérios normativos, cumpra seu principal papel, que é o de salvaguardar vidas e patrimônios.


PROBLEMA RECORRENTE


Falhas em sistemas ocorrem o tempo todo, não só em edificações comerciais, como também em condomínios residenciais e até dentro de grandes empresas. Os levantamentos mostram que, só no estado de São Paulo, foram registrados 10.577 casos de incêndio em edificações em 2016. Somando-se todos os tipos de ocorrências (em mata, residência e prédios).


Quando falamos em incêndio, temos certeza de que ele vai acontecer, só não sabemos quando, nem onde. Por isso, um abrangente plano de inspeções e manutenções preventivas deve ser elaborado pelo responsável do projeto. Esse plano deverá ser exaustivamente discutido entre as partes, sempre à luz das melhores práticas de engenharia e, principalmente, em consonância com as principais normas, sejam elas nacionais ou internacionais, a fim de dar condições para que os sistemas funcionem conforme projetado.


Os fabricantes e instaladores têm a responsabilidade de alertar os consumidores sobre os cuidados que se devem ter com cada equipamento, em termos de inspeções e manutenções preventivas, para que mantenham as características e performances originais. As empresas também devem ministrar treinamentos, não apenas sobre a operação do sistema, mas também sobre todos os cuidados e manutenções que aquele sistema específico requer, passando pelas boas práticas de engenharia, mas principalmente, pelas normas daquelas disciplinas.


Ao usuário cabe a maior responsabilidade: que é a de manter os sistemas em plenas condições de funcionamento, devendo utilizar todo o corpo técnico ou recursos externos, ao contratar empresas especializadas que possam, periodicamente, fornecer inspeções e manutenções preventivas, além de treinamentos de reciclagem e responsabilidade técnica, traduzida pela ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) junto ao CREA.

Segundo o departamento de Segurança Contra Incêndio (DSCI) do Corpo de Bombeiro da Policia Militar do Estado de São Paulo, o serviço de manutenção, quando efetuado adequadamente, tem a finalidade de manter as condições originais de operação, o que dá à empresa o benefício do funcionamento regular dos seus equipamentos de segurança contra incêndio. As medidas de segurança contra incêndio serão efetivas somente se estiverem em funcionamento regular; por isso, é de extrema importância a sua manutenção.


A periodicidade referente à inspeção das medidas de segurança contra incêndio, segundo o departamento, varia de acordo com cada sistema.


Todas as medidas de segurança contra incêndio, sendo que o responsável pela manutenção deve se ater ao sistema de maneira independente e procurar orientações nos catálogos dos fabricantes e nas normas brasileiras.


Nas inspeções e manutenções preventivas que se identificam falhas ou situações que podem levar a uma emergência futura, como, obstruções internas em tubulação; acúmulo de poeira em detectores de fumaça, que podem vir a ser obstrução no futuro; funcionamento do sistema de bombeamento; ou mau funcionamento de válvulas.

ATENÇÃO TAMBÉM NA INSTALAÇÃO


Condomínios, empresas, indústrias, casas de espetáculos, dentre outras edificações, costumam investir bastante dinheiro na hora de definir e implantar um projeto de segurança e proteção contra incêndio. Isso, porém, não é garantia de que os equipamentos funcionarão da maneira adequada, no caso de uma emergência. Erros na instalação, falta de manutenção e produtos de má qualidade podem comprometer a resposta e eficácia dos equipamentos quando solicitados.


Os serviços de instalação, geralmente, são feitos por empresas da área de engenharia, que acompanham todas as etapas do processo: desde a elaboração do projeto arquitetônico até o término da edificação, prestando inclusive, em alguns casos, assessoria junto ao Corpo de Bombeiros, na obtenção do AVCB. São essas empresas que também prestam assistência na hora da manutenção dos equipamentos. Isso quando os proprietários não se arriscam em fazer as inspeções por conta própria.


É comum sistemas instalados serem tratados com absoluto descaso, ignorância e irresponsabilidade, acarretando no não funcionamento, seja pelo simples fato de não executarem as manutenções e inspeções ou por executarem com mão de obra não qualificada, tanto contratada quanto própria.


É muito importante que esses trabalhos sejam realizados de acordo com as normas e por empresas especializadas nesse tipo de serviço, já que o sucesso da operação do sistema estará diretamente ligado a fatores como: projeto adequado, equipamentos e tecnologia compatível, mão de obra qualificada de montagem, treinamento e reciclagem, plano de inspeções e manutenções periódicas, e, por fim, mão de obra qualificada de manutenção.

TESTES SIMPLES DE SEGURANÇA


Atualmente, o maior problema que existe nesse segmento está na qualidade duvidosa de muitos equipamentos. É possível checar a eficácia dos principais dispositivos de segurança: centrais de alarme, detectores de fumaça e alarme de incêndio.


Empresas, por conta de erros de vistoria de instalação ou de projetos, têm ofertado produtos de baixa qualidade, que não atendem à norma NBR 17.240. É possível demonstrar para síndicos, gestores prediais e até mesmo bombeiros, como realizar testes práticos de forma rápida e eficiente.


O primeiro teste é feito desconectando a corrente alternada da central de alarme. Com isso, ela imediatamente para de funcionar, acionando sua bateria. O teste tem por finalidade verificar se a central continua operando essa forma de alimentação, prevista inclusive na NBR 17.240. Muitas dessas centrais, sequer possuem bateria, parando de funcionar imediatamente após o corte de energia.


Com o detector de fumaça, o engenheiro remove o dispositivo de sua base, para saber se a central registrará a ocorrência, o que deve acontecer em até dois minutos, conforme a norma vigente. Feito isso, o equipamento é novamente colocado no lugar e a central é reiniciada. O teste final avalia se a central irá registrar que o dispositivo está novamente em funcionamento.


A inspeção mais corriqueira, deveria ser em relação ao alarme acionado de forma manual. Para isso, deve-se levantar o acionador e pressionar a botoeira do alarme. A central deve reconhecer o aviso e identificar a área em risco.


Muita gente pode não acreditar, mas a maioria das centrais de alarme hoje em funcionamento não reconhece nem avisa sobre qualquer falha no sistema ou as informações não estão atualizadas.


São testes simples, que não demandam tempo e que podem ser realizados por qualquer pessoa.

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