• Roberto Francisco Mennuti

Um olhar atento à detecção de incêndio em armazéns

Com o crescimento do consumo e consequentemente das indústrias, os armazéns industriais acompanham também essa tendência. Os armazéns modernos são maiores, mais altos, com grande volume e maiores quantidades e variedades de mercadorias. Não é raro ver, em parques industriais, galpões que ocupam uma área igual ou maior a de dez campos de futebol. A economia e a eficiência dos armazéns levam à necessidade de maximizar a altura da armazenagem e reduzir a área de pavimento não utilizada, o que significa reduzir tanto o número como o tamanho dos corredores.



Todo esse crescimento traz uma grande preocupação aos órgãos responsáveis pela prevenção e proteção a incêndios, pois quanto maior a área mais difícil fica para a detecção e extinção do foco do incêndio. Os atuais códigos e normas não requerem a instalação de sistemas de detecção automática de incêndios para a maioria dos tipos de armazéns. De acordo com um relatório da NFPA publicado o ano passado, o sistema de detecção estava presente em 22% dos armazéns envolvidos em incêndios nos Estados Unidos durante o período compreendido entre 2005 e 2011.


O relatório também informa que os sistemas de detecção operam apenas em 15% daqueles incêndios.


Além disso, a construção de um maior número de grandes armazéns em zonas rurais, onde há mais terra disponível, muitas vezes apresentam problemas em relação à disponibilidade de água para o combate ao fogo e, dependendo, pode ser difícil ou até impossível para pequenos corpos de bombeiros rurais protegerem as instalações construídas naquelas áreas.


E, aqui no Brasil, a situação é ainda mais preocupante, já que as normas e a fiscalização são falhas. Por enquanto, a contínua expansão dos empreendimentos e a variedade de bens armazenados põem em teste a eficiência essencial das atuais estratégias de combate a incêndio nessas instalações. Esses galpões apresentam uma série de desafios aos bombeiros, que incluem: localizar o incêndio; determinar se o edifício, os bens armazenados e as prateleiras de armazenagem são estruturalmente seguros; determinar em que momento o fogo foi apagado; Se for localizado em prateleiras altas ou alguma outra área difícil de alcançar.


Os sistemas de detecção podem ser capazes de identificar as condições do incêndio antes dos sistemas tradicionais de sprinklers automáticos e enviar um sinal de alerta ao corpo de bombeiros, ou brigada de incêndio, mais rapidamente, resultando em menor tempo de resposta.


Existe ainda a detecção de calor, que pode também ser utilizada em armazéns, embora esse método não forneça um aviso tão precoce como a detecção de fumaça, já que os detectores de calor requerem um alto nível de calor para se ativarem. A detecção de calor funciona com um detector montado em um cabo ou em um tubo que mede a temperatura ao longo de sua extensão. Já a detecção da chama utiliza detectores óticos para medir a energia radiante emitidas pelas chamas em comprimentos de onda que indicam a presença de um incêndio, porém os dispositivos devem ter uma vista direta para poder detectar um incêndio, o que significa que as obstruções do espaço podem ser um problema.


Já que na atualidade não há dados suficientes para quantificar incêndios incipientes, a fim de ajudar na melhor escolha do tipo de detecção, é fundamental o projetista fazer todas as avaliações de risco envolvidas no ambiente protegido, levando em consideração a embalagem de produtos; tipo de armazenagem; espaço entre embalagens e prateleiras; tempo de resposta do corpo de bombeiros; tempo de resposta da brigada de incêndio, entre outros, para que assim ele possa prevenir da melhor forma possível que os incêndios se espalhem para todo o galpão e evite que perdas financeiras e até mesmo tragédias aconteçam.

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