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Sobre Alarmes ...

Problemas sérios podem ocorrer quando não se usa uma terminologia adequada.

Na indústria de alarmes de incêndio a terminologia evolui segundo as múltiplas soluções de projetos. Usamos termos que têm uma exata definição nas normas, suficiente para descrever muitas das características técnicas desenvolvidas pelos fabricantes. Mas a terminologia de mercado, às vezes, elabora características próprias às definições, sem recorrer ao que está estabelecido em normas. Qualquer pessoa envolvida em projeto, compra, instalação ou operação de um novo sistema de alarme, necessita compreender as nuances de que se fala. O usuário final, autoridades, contratantes, engenheiros e vendedores, todos devem ter seu próprios objetivos e interagem sobre um projeto, às vezes usando a mesma palavra para significar coisas distintas. Este texto apresenta, a seguir, exemplos de terminologia comum para ilustrar a magnitude do problema. Entretanto, esta não é uma ciência exata. Estes termos têm muitos significados adicionais, embora o objetivo do artigo não seja o de estabelecer um glossário de termos.

Conhecimentos comuns, ou porque você não deseja embaraçar-se perguntando sobre os termos, cada um deles supostamente normalizados.

Muitas vezes aceitamos, sem o cuidado necessário, alguns termos usados em especificações, códigos, literatura de produtos, apresentações e discussões. Nós ouvimos as expressões tantas vezes que, automaticamente, assumimos significados. Sabemos que este é um meio de entendimento. Entretanto as palavras escritas e lidas da mesma especificação podem, e muitas vezes acontece, associar outros significados.

Tome-se a palavra multiplexado, por exemplo. A norma NFPA 72 - National Fire Alarme Code define-a como um método de sinalização "caracterizado pela transmissão simultânea ou seqüencial, ou ambas; a recepção de múltiplos sinais em um circuito de sinalização, um canal de transmissão ou um canal de comunicação". Após revisar a literatura de um produto para as definições da NFPA 72 de "circuito de linha de sinalização", "canal de transmissão" e "canal de comunicações" como também as exigências de UL864 para sistemas multiplexados, percebemos que os sistemas multiplexados podem adaptar-se a várias características de sistemas. Este inclui a capacidade de Controle de Alarme de Incêndio ou outro tipo de unidade de controle, ou central de transmissão/recepção, para manipular múltiplas mensagens vindas de outro equipamento de controle no mesmo circuito e, ao mesmo tempo, para manipular o painel de comunicações e controle de alarmes de incêndios com seus detectores ou componentes.

Especificações que desejam um painel de controle de alarme de incêndio tipo multiplexado, muitas vezes querem um painel que monitore equipamentos endereçável/analógico para detecção de fumaça e calor. Enquanto a maioria dos equipamentos endereçável provavelmente usa método de comunicação multiplexado, muitos painéis de alarme de incêndio convencionais também têm capacidade multiplexadas, tais como fibra ótica, modem, portas seriais, usando vários módulos de transmissão ou paralelamente microprocessadores integrados. Requerer simplesmente a característica de multiplexado não significa que o sistema suportará equipamento analógico/endereçável, nem que reconheça os endereços das múltiplas características dos equipamentos analógico/endereçável.

Sem glossário - Definir exatamente outros termos comumente usados pode ser ainda mais difícil quando não existe qualquer código ou glossário normalizado de definições. Engenheiros e usuários finais têm ficado incrédulos quando o equipamento que procuram encontrar dentro das especificações não atende a proposta do projeto. Por exemplo, muitos fabricantes oferecem detectores de fumaça com "compensações ambientais", os quais tentam minimizar os prejuízos dos alarmes causados pela sujeira, umidade, variação de pressão, contaminações. Mas o termo "compensações ambientais" significa coisas diferentes para diferentes fabricantes e vendedores.

Quando multiplexado, simplesmente especificando para as compensações ambientais, não se está especificando, necessariamente, sensibilidade analógica no detector de fumaça ou na comunicação serial de dados entre o painel de controle e o detector. Por quê? Porque vários tipos de compensação ambiental podem ser encontradas em alguns detectores de fumaça convencionais, como nos sensores analógicos de fumaça. Mas poucos especificadores têm julgado que, especificando detectores de fumaça com compensações, não necessitam prover os dispositivos analógico/endereçável que querem em seu sistema.

Além disso, vários tipos de compensações ambientais são encontradas em sensores endereçável/analógico e estes têm diferentes tipos de implicações na operação do sistema. Quando um técnico apresenta seu detector como do tipo de compensação ambiental, o projetista deve questionar sobre as características do detector e do painel de operação. Por exemplo, o que as características de "compensações ambientais" fazem por mim? Faz o detector de fumaça simplesmente avisar o painel de controle das condições de sujeira ou é a sensibilidade do detector ajustado para compensar a sujeira? É a compensação ajustada na monitoração dos níveis de contaminação ou deve-se usar um nível de reconhecimento programado dos fenômenos do fogo? A compensação é feita na fábrica ou ajustada ao local? São os programas ou ajustes executados no painel de controle ou no detector? Como o sistema é notificado sobre um detector sujo? O controle do painel acusa automaticamente um erro ou necessita que o operador faça a indagação? Talvez o indicador do detector sujo esteja no próprio detector.

Responsabilidade - Do leque de respostas possíveis para estas perguntas é aparente que as características de "compensações ambientais" podem ser altamente valorizadas ou mal valorizadas, como um todo, dependendo das características do sistema de alarme de incêndio. E estas são exatamente algumas das questões para se perguntar ao técnico-vendedor, de forma a se conhecer as especificações características do equipamento. Esta responsabilidade em relação ao sistema deve ser inteiramente entendida como relevante para obtenção dos resultados pretendidos.

Muitas outras características dos equipamentos de um sistema de alarmes de incêndio são descritas usando palavras idênticas ou frases feitas, mas a maioria dessas características, embora usadas similarmente pelos fabricantes, vendedores, especificadores, têm diferentes níveis de operação e de desempenho. Se o usuário final não fizer as perguntas corretas antes de comprar um sistema, ele provavelmente não obterá as características e desempenho em operação esperados.

Confusão comutativa
Podem surgir diferenças entre o sistema de alarme pretendido e o produto final

Às vezes, especificando uma característica particular para um sistema de alarme de incêndio, se acrescenta um segundo grupo de características. Mas especificamente algumas características secundárias podem não garantir que a primeira especificação faça parte do sistema. Isto pode causar maiores discrepâncias entre o sistema de alarme de incêndio pretendido e o produto final obtido. Por exemplo, a especificação da NFPA 72 - Classe A, Tipo 7, exige uma linha de circuitos da rede de sinalização. Automaticamente requer a instalação de um loop condutor ao redor de todos os painéis de comunicação. Mas especificamente um loop ou condutores entre os painéis das redes em que se deseja um sistema de classe A, Tipo 7. Especificar um loop físico, sem determinar a Classe ou o Tipo, pode resultar na instalação uma rede/transponder multiplexados mais barata, a qual terá somente performance de sinalização de linha de Classe B e não um módulo local de operação capacitado em transponders.

A maioria dos fabricantes oferece ambos, a rede do Tipo 7 e a rede para o painel/transponder multiplexado, embora a última seja menor e menos predominante atualmente do que era em 1980. Ambos os tipos de sistema são, apesar disso, viáveis, porque a rede com painel/transponder multiplexado, é substancialmente menos cara e porque ainda tem muitas aplicações. Alguns especificadores desprevenidos, que querem a rede Tipo 7, terminam com sistemas tipo transponder, que faz junção com as especificações de loop fechado, mas não tem a expectativa original do sistema.

Outros exemplos incluem nomenclaturas de analógico e de endereçável. Simplesmente instalar um sensor de fumaça analógico poderá ser endereçável, mas um detector endereçável não precisa ser necessariamente analógico. Similarmente, alguns detectores de comunicação digital com o painel de controle usando dados protegidos em sistema RF (Rádio Freqüência), podem enviar dados em formato analógico e não digital. Quando cuidadosamente interpretado, a maioria dos fabricantes produz uma literatura adequada que descreve o equipamento e sua operação. Mas a tendência de entender que determinada terminologia é intercambiável, substituída ou similar, pode trazer sérios problemas.

Ambigüidades - Em muitos aspectos da nossa vida, a obrigação pessoal afeta nossa forma de comunicação. O mesmo pode ser dito para os sistemas de alarme de incêndio devido ao fato de cada um dos envolvidos na aquisição e instalação de tais sistemas ter um papel diferente. Usuários finais, projetistas, vendedores, fiscais e contratados precisam balancear seus objetivos pessoais de segurança, dúvidas, objetivos financeiros e integridade pessoal.

A maioria utiliza informações responsáveis e factuais, mas não podemos eliminar completamente nossas tendências pessoais. Enquanto usuários e projetistas não esperam ambigüidades que possam alterar o sistema desejado de operações ou o conceito do projeto, vendedores usam a ambigüidade nas especificações para seu benefício. Os códigos, leis, normas, aplicam definições segundo código ou práticas locais. E os contratantes consideram qualquer equipamento não especificado ou sem características de instalação como licença para usar a opção mais eficiente.

Uma vez que muitos itens representam diferentes conceitos relatados, às vezes, características vagamente especificadas acabam sendo interpretadas como vantagens para a pessoa com maior interesse no item. Tome-se por exemplo o termo "campo programável". Para o usuário final, este é um meio usual que especifica funções acessíveis ou que podem ser montadas pelo seu staff. Contudo, para assegurar que isto é o que de fato o usuário final quer, devem descrever as funções desejáveis para o projetista, item por item. Assim o projetista pode evoluir os requisitos do usuário final e advertir sobre qualquer conceito ou função e os custos envolvidos. O projetista deve, também, estar inteirado de quais sistemas são melhores para o usuário final e ser capaz de especificar funções em detalhes.

A maioria dos sistemas pode satisfazer especificações gerais (campo-programáveis), mas cada uma tem seus próprios níveis de acesso, pacotes de software, acessórios e modelos de programação. Os códigos podem impor restrições nas funções ou quais funções podem ser programadas e por quem. No final, o instalador providencia somente os circuitos e equipamentos mostrados nos desenhos, ou tudo que for necessário para realizar as seqüências de operações. Se programou características que requerem equipamentos adicionais ou fiação, e estas não foram especificadas no desenho do projeto, os vendedores e contratantes não poderão providenciá-los.

Se as especificações exigidas para o campo-programável não são suficientemente detalhadas, serão necessários equipamentos especiais e pessoal com treinamento especial para programar o sistema no local. Mas processos podem ter níveis pré-definidos de acesso que não incompatíveis com a acessibilidade do pessoal in loco. E o fabricante pode anular a garantia ou desistir da responsabilidade se determinadas funções são executadas in loco, ou a característica programada pode não ser possível em determinados modelos.

Alguns processadores podem exigir equipamentos periféricos adicionais, módulos ou circuitos para se obter a função desejada. E equipamentos desnecessários ou características que não são usadas ou não são usáveis devido ao código ou limitações de responsabilidade podem ser incluídos e é evidente que o usuário paga por tudo. Se os usuários finais não especificam o sistema com suficientes detalhes, eles podem ficar desapontados por qualquer desses complementos ou mais. E os projetistas, vendedores e instaladores não serão culpados pelo sistema imperfei- to.

Soluções que conhecemos - Adote um sistema de alarme de incêndio que desempenhe os desejáveis meios de comunicação, com concisão em todos os estágios. Isto não é suficiente para compreender as facilidades necessárias às opções disponíveis - o usuário final e o projetista precisam também descrever as especificações necessárias. O projetista precisa saber que a terminologia não é somente para ele e para o usuário final, mas para todos os envolvidos no processo de compra, instalação e uso.

Cada característica evidente de um sistema de alarmes precisa ser descrita cuidadosamente. Vendedor e contratante podem então avaliar os desempenhos desejados, melhor que interpretar frases enganosas cada um a sua maneira. A terminologia somente deve ser usada como definida nos códigos e generalizações. Áreas permissíveis das especificações devem ser entendidas pelo projetista e o usuário final, portanto permitindo ao vendedor e contratante providenciar a criatividade para o sistema mais econômico, sem qualquer desapontamento com o produto final.

Se um projeto é para ser um sucesso, o projetista precisa verificar as necessidade do usuário final. Vendedores e fiscais devem levar em conta o encaminhamento a seguir. Projetistas necessitam de tempo para isso, antes de pôr no papel ou movimentar o mouse. Similarmente o usuário final, vendedores, fiscais e contratantes precisam examinar cuidadosamente os documentos, e perguntar questões duvidosas para que eles possam estar seguros que entendem o critério projetado. Se todas as partes responsáveis informarem-se e providenciarem informações fundamentadas, evita-se mal entendidos e a possibilidade de um projeto de sucesso ser maximizado.

Fonte:
NFPA Journal en Português
Arquivos
Artigo do NFPA Journal traduzido e reproduzido no Brasil pela Revista Proteção em fevereiro de 1999
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