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As Prioridades Operacionais em Incêndios de Edifícios Altos

Um chefe de operação tem poucas escolhas quando enfrenta um incêndio nos últimos andares de um edifício alto.

Ben Klaene e Russ Sanders

Na maior parte de incêndios em edifícios, a melhor maneira de se atingir o objetivo principal, o salvamento de vidas, é atender a prioridade secundária: a extinção do incêndio. Isto é mais verdadeiro ainda no caso de edifícios altos, onde existem pessoas presas acima do andar de ocorrência do incêndio. A extinção do fogo é geralmente a única opção tática e prática para o salvamento de vidas nessa situação. A extinção aumenta dramaticamente as chances de sobrevivência das vítimas e dos bombeiros.

Felizmente, a maior parte dos edifícios altos é protegida por sistemas de sprinklers. Os prédios mais antigos, que não têm proteção plena por sprinklers são, geralmente, feitos para resistir a incêndios de grande proporções. Existem, entretanto, edifícios altos que não foram construídos para resistir a um incêndio prolongado e não contam com a proteção de sprinklers. São esses prédios que representam os maiores riscos para bombeiros e ocupantes.

As opções táticas à disposição dos bombeiros são bastante limitadas quando o fogo localiza-se fora do alcance de uma escada. O resgate de pessoas pela parte externa do prédio, usando escadas ou equipamento aéreo, não é possível nesses casos. Quando isso ocorre, o chefe da operação só tem como opções o uso de uma estratégia agressiva ou uma estratégia de não-combate.

O transporte de pessoal e equipamentos para os andares superiores de um prédio pode aumentar enormemente o tempo de preparação, especialmente se os elevadores não puderem ser usados. O tempo de preparação para o lançamento de uma frente de ataque, que geralmente não ultrapassa dois ou três minutos, facilmente passa a ser de dez minutos ou mais, pois os bombeiros precisam chegar ao andar do incêndio pelas escadas. Após carregar todo seu equipamento escada acima, os primeiros bombeiros a subir provavelmente estarão exaustos. O pessoal de apoio nas escadas e o uso de procedimentos de reabilitação podem minimizar esse problema, mas as primeiras brigadas a preparar uma ofensiva nos andares superiores de um edifício alto têm que se virar sozinhas.

A Importância da Rede de Água de Incêndio
Quanto mais alto for o andar do incêndio, mais importante se torna a tubulação interna de incêndio. A instalação de uma linha de mangueiras no 10o andar de um prédio já se constitui um desafio, mas posicionar uma no 30o, 50o ou no 100o andar é muito mais difícil.

Em termos práticos, o chefe de emergência precisa levar em consideração as variáveis hidráulicas necessárias para superar a perda de carga o efeito da altura, além do pessoal adicional necessário. A perda de pressão por elevação corresponde a 0,03 kgf/cm2 para cada 30cm de altura. Embora a altura de cada andar varie de prédio para prédio, e os primeiros andares sejam geralmente mais altos que os superiores, para efeitos práticos calcula-se que cada andar tem 3 metros de altura. Conseqüentemente, o bombeamento para um sistema de mangueiras no segundo andar gera uma perda de pressão de aproximadamente 0,3 kgf/cm2. Um bombeamento para o 51o andar corresponde a uma perda de pressão de 18,4 kgf/cm2, e o bombeamento para o 101o andar resulta em uma perda de 29,5 kgf/cm2. Para se conseguir superar estas perdas elevadas seria necessário empregar-se pressões de bombeamento muito acima das pressões recomendadas para as mangueiras e bombas de incêndio existentes.

O incêndio no hotel One Meridian Plaza, na Filadélfia, em 1991, é um bom exemplo de quanto depende o corpo de bombeiros da rede de água de incêndio do edifício. No instante do sinistro, a rede de incêndio do prédio desocupado tinha válvulas redutoras de pressão, o que resultou em baixa pressão no sistema. Para tentar obter as pressões e vazões necessárias, o chefe da operação considerou a possibilidade de mandar bombeiros transportarem mangueiras de grande diâmetro até o incêndio, que havia iniciado no 22o andar e se espalhado até o 29o. Se considerarmos que cada andar tem 3 metros de altura, e que o 22o andar está localizado a 64m de altura, a perda de pressão por elevação equivalia a 6,2 kgf/cm2. O uso de mangueiras de 13cm iria reduzir a perda de carga, mas seria difícil transportá-las 21 andares escada acima.

O cálculo hidráulico indica que seria necessária uma pressão de descarga na faixa de 55 a 65 lpm para se suprir o esguicho automático. Esguichos de jato sólido operam a pressões menores para o mesmo nível de vazão e, por esse motivo, exigem menos do equipamento de bombeamento e das mangueiras. Essa tática seria possível em termos hidráulicos, mesmo com esguichos automáticos que requerem pressão de 6,8 kgf/cm2. Entretanto, poucos corpos de bombeiro dispõem do número de bombeiros necessário para implementar semelhante estratégia, que exige muito trabalho.

No final das contas, 316 bombeiros combateram o incêndio no One Meridian Plaza. Três deles morreram antes que o chefe da operação decidisse retirar o seu pessoal, optando por uma estratégia de não-combate.

Incêndios em edifícios altos podem dominar completamente as equipes de combate e ameaçar um número grande de ocupantes e bombeiros. Esses incêndios representam um dos maiores desafios para os combatentes de incêndios em edifícios, porque exigem a modificação de técnicas padrão de combate a incêndios e também porque limitam o leque de opções do chefe da operação.

Russ Senders serviu no Corpo de Bombeiros de Louisville, no estado americano de Kentucky, por 29 anos, sendo que nos últimos 9 ocupou o cargo de Comandante. Ele hoje é gerente da Região Central dos EUA da NFPA. Após 30 anos de serviços prestados no Corpo de Bombeiros de Cincinnati, Bem Klaene se aposentou como comandante de Treinamento e Segurança e passou a lecionar no Curso de Extensão em Ciência de Incêndios da Universidade de Cincinnati.

Esta coluna foi adaptada do livro Structural Fire Fighting, disponível pela NFPA através do site www.nfpa.org. O propósito do livro é preparar o chefe da operação para assumir o controle das operações de combate a incêndios em edificações, por meio do uso dos recursos disponíveis, de forma segura e eficiente.